- O meu palco... é outro, não é feito de madeira estável, pregada em barrotes, nem firme, feito de aço, é um palco sinuoso, instável, onde a sombra se confunde com a realidade.No meu palco... não se regateiam aplausos nem se pedem maiorias,mas antes se recebem apupos, insultos e cuspidelas.É um palco onde as luzes não aquecem os actores mas onde o dedo em riste e a acusação emergem facilmente. No meu palco... a tinta não faz de sangue, nem o grito é ensaiado nos bastidores, é um palco onde o suicídio, a violência, o álcool e a miséria têm cheiros e significados reais.Neste palco, não há lugar a emendas e improvisos, mas antes tomadas de decisões, que colocam a nossa vida nas mãos de outros. Esses mesmos, que julgam fácil o sacar da arma, o disparar em direção de alguém e que se refugiam nos códigos penais para julgar o que não se compreende, o que se pensa saber, mas não se sabe.É neste palco, que se dá o que se tem, em troco de um simples cumprir do dever, onde são voluntários os que por cá andam e onde as palavras de apreço são simplesmente vozes de ocasião , que surgem para recolher dividendos eleitorais.É este o palco que me acolhe dia após dia e para onde daqui a pouco irei.É este o meu palco ...que todos os dias me faz olhar para trás, ao sair de casa, na esperança de lá regressar, sem aplausos nem medalhas,mas somente para olhar a quem por mim espera.
"AS AMARRAS" O medo e a autopiedade são criminosos refinados.Espalham o nevoeiro sobre as águas e nós ficamos na segurança do porto. Claro que a espera envelhece.Mas é a viagem por fazer que acaba por matar. Júlio Machado Vaz
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
O MEU PALCO
terça-feira, 14 de outubro de 2014
LÁGRIMAS
Assim como tu, que caminhas nesse vidro
molhado, também eu deslizo, nesse teu rosto marcado
Assim como tu, que apagas o sorriso do
Verão, também eu apago a alegria do dia
Assim como tu, que transbordas do céu,
também eu transbordo desses olhos fechados
Assim como tu, que fustigas quem passa,
também eu encharcada me sinto
Assim como tu, que nenhuma raiz te
segura, também eu ,sem raízes me encontro
Assim como tu, que dás pelo nome de
chuva,também eu, feita de água sou.
segunda-feira, 3 de março de 2014
DIAS CINZENTOS
Por vezes, encontrámos nos olhos
de um estranho, a negrura do dia.
Os olhos… esses, que imitam o
céu, no escurecer progressivo da alma, pelo derrame de lágrimas, que em vez de
gotas límpidas, são pedaços escuros de dor.
Dores, que se partilham e se
entranham em nós, que se agarram à esperança do azul, que a farda transporta,
mas que o destino enegrece, por uma porta que se abre e por um corpo sem vida, que
nos espera, cansado...da vida, da dor.
A morte de um filho… recusada por
uma mãe, que no cinzento do dia, enegrece o rosto que se me apresenta, sem
forma, sem expressões de vida...rasgado,por lágrimas, que dos olhos brotam sem
fim.
Tarde, tarde de mais…um simples telefonema
e a o negro abate-se no dia carregado de dor ,que de repente se manifesta em
palavras: talvez estivesse zangada com Deus, como eu…
São mortes, que tiram o sono, a
quem o tempo não roubou o sentido da vida, pelo azul de uma farda.
domingo, 3 de novembro de 2013
ACORDAR
Um dia…Acordas e vês…
Que o Sol, tem cheiro e forma …de gente
Que a Lua, sabe a mel, em boca estranha
Que o sorriso da criança, passou ao lado do teu olhar,
disfarçado de ver
Que a vida…corre como um rio, sem mar destinado a o acolher
Que o tempo… passa, sem registo a reter
Que o sonho, ganha vida, ao acreditares em ti
Que a felicidade, não é um conceito, pintado sem alma
Que olhar… não é ver
Um dia…Vês e acordas
Acordas da vida…sem sabor a sonho
Acordas do nascer, sem idade de morrer
Acordas, do mundo, sem o teres acolhido no teu ser
Acordas e Vês que a Vida te oferece o Sol, a Lua, e o sonho vazio
Para o pintares de sons e nele embarcares, como um barco
frágil, sem leme ou bússola, destinado a navegar na corrente da vida, empurrado
por ventos de se querer viver.
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
SORRISOS…
Início de
tarde… mais uma, de Outono anunciado, diferente, rasgada por raios de sol,
bailando na calçada, fugindo aos pés de quem passa, surgiu a filha do senhor Sebastião.
Curvada, vergada, pelo peso de décadas, sorriu, saudando o Polícia, que na rua,
aquecia a alma, com pedaços de sol.
Sebastião,
senhor Sebastião, teria sido o fogueiro da fábrica Fapobol, que pela certa o
Polícia conhecia, dizia a sua filha, pois era ali perto, para os lados do
carvalhido, da qual agora nada restava, pois haviam sido construídas casas
naquele espaço, ficou desde logo, o polícia informado, acenando com a cabeça, para
que não restassem dúvidas de que havia compreendido.
A senhora,
que então era menina, de 11 anos, lembrou que então, à data, teve a sorte de ir
trabalhar para a fábrica, onde o seu pai já laborava, que era a Fapobol e que
ficava perto do carvalhido, relembrou a senhora, que falava da menina, filha do
fogueiro.
Foi uma
sorte… pois foi limpar as máquinas, que serviam para as senhoras trabalharem os
moldes e as mãos e pernas ficavam cheias de óleo, que agora a senhora lembrava,
com saudade de ser criança, de 11 anos, que de joelhos, trabalhava… bons tempos
aqueles, dizia a senhora acerca da menina que havia sido.
Melhor ainda,
foi quando o patrão, que tinha uma quintarola, nas imediações da dita fábrica,
a surpreendeu, com uma sua colega de trabalho, da mesma idade, dentro de um
tanque, a lavar o óleo das pernas e mãos, em trajes menores e foi rir a bom
rir, pois o mesmo, vendo crianças a brincar na água, sorriu, possivelmente
pensando que as meninas seriam depressa mulheres e já teriam que se recatar de
olhares indiscretos.
Criança…Mulher,
despediu-se, sorrindo, sempre sorrindo, fazendo da vida não uma estrada de
lamentos mas um caminho de sorrisos e o polícia, com a alma aquecida, olhou
para a filha do senhor Sebastião, pensando… de que te queixas tu criança que
passas…
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
O MEU VOTO
Tá decidido.
O meu voto, já tem destino, traçado pela consciência que me
rege e esmiuçado por Saramago no livro “Ensaio sobre a Lucidez” ( http://pt.wikipedia.org/wiki/Ensaio_sobre_a_Lucidez).
Será o voto que diz: Não, à direta, Não, ao centro e Não, à
esquerda; Também não será o voto abstencionista, em que alguém decide por mim,
sem que a minha voz se ouça; Não será ainda o voto nulo, em que não assumo o
que penso, mas será assim o voto em BRANCO: O voto em que digo claramente e sem
equívocos, que a classe política que temos, não reúne condições para que eu confie
o meu destino nas suas mãos; Será o voto em que eu manifesto que estes políticos
não têm o meu crédito para me representar; Será assim o voto da indignação
perante a incapacidade e incompetência dos que têm levado este belo País, para
o cais dos tachos partidários.
domingo, 11 de agosto de 2013
ESTE MUNDO...
Este mundo, mágico…
de cores infinitas, salpicado de negro, no
render de cada dia , rendeu-se aos travestidos de heróis, que dão pelo nome de
Homens
Homens, que fazem
da cobiça, o seu por do sol e do desdém, o seu abrigo,
da tempestade anunciada.
Este mundo… criado,
de histórias mil, trocou o sorriso do petiz, pelo travo do dinheiro e pela
ilusão do ter.
Este mundo,
engalanado de festa, faz da miséria, a sombra apagada da vergonha, que passa e ri,
num olhar de criança
Este mundo,
fantasiado de força, faz do saber, a ignorância do fraco
Este mundo, de
odores e sentidos, transporta no segundo, a fraqueza do tempo vivido
Este mundo,
sufocado de vaidades, faz do desconhecido, o ignorado
Este mundo…enganado
…enganador
sexta-feira, 19 de julho de 2013
O SONHO
O Sonho, é como a sombra que nos
confunde, que se contorce nos obstáculos com que se depara e se adelgaça
perante o nosso olhar. O sonho, é essa imagem que se agiganta no solo e
desaparece na escuridão, inalcançável, por rápido que caminhes.
O sonho, é o tempo sem hora e fim,
é a estrada dos teus pensamentos, sem coordenadas do destino, sem endereço real.
Poderá ser o belo acordar de um sono eterno.
domingo, 27 de janeiro de 2013
QUAL O VALOR DESTE SORRISO?
VALE, O TALHAR DE UM ROSTO, PELOS PECADOS DE UMA CIDADE
VALE, O CAMINHAR, NA SOMBRA DO DESCONHECIDO
VALE, A NOITE SURDA, EMBALADA PELA MÚSICA DO TEMPO
VALE, O ACORDAR DO CORAÇÃO, PELA DOR DO TEMIDO
VALE, A RUGA NASCIDA DO OLHAR CRITICO
VALE, O CANSAÇO DE UM DESENCANTO
VALE, A PROMESSA FEITA DE PALAVRAS SEM SENTIDO
VALE, A CENSURA DOS COMUNS
VALE, O MEU SONHO CUMPRIDO
VALE…O QUE VALE
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
FUNCIONÁRIO PÚBLICO
Segundo um estudo, apresentado
hoje, pelo FMI, os Polícias são uma das classes privilegiadas deste País e
assim sendo resolvi enumerar esses privilégios de forma a dar o meu contributo aos
possíveis futuros candidatos a funcionários públicos de terceira classe, também
conhecidos como POLÍCIAS.
Assim sendo aqui vai:
-se pretendes ser mal remunerado,
candidata-te
-se pretendes sacrificar a tua
vida pessoal, agora é o momento
-se pretendes ser olhado com
desprezo pela maioria dos cidadãos, não hesites
-se pretendes ser uma marioneta,
na mão dos políticos, avança
- se pretendes trabalhar de
noite, natais , fins de semana, feriados, para ganhar exatamente o mesmo que se trabalhasses
de dia, apressa-te
-se pretendes ser cuspido,
insultado, agredido, a troco de afirmações como: é a tua obrigação, está na
hora
-se pretendes gozar as tua folgas
com a família e teres que andar a olhar para as costas, este é o momento
-se pretendes ser um número em
vez de um nome, não vaciles
-se pretendes ser equiparado a
funcionário público, está na hora
-se pretendes estar reformado e
continuares a ter um regulamento disciplinar para avaliar a tua a conduta, para
te punir, esta é a profissão certa
-se pretendes abdicar dos teus
direitos de cidadão, estás no caminho certo
-se pretendes ser julgado por
pessoas confortavelmente sentadas, nos seus gabinetes, com ar condicionado,
porque no meio da selva, atingiste um gatuno a tiro, é este o caminho
-se pretendes dormir, tendo por companhia
uma pistola próxima de ti, mantem-te firme
-se pretendes que a tua esposa e
filhos sejam objeto de vinganças, vai
-Se pretendes ser …candidata-te.
-
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